Exportações de milho: início de setembro mostra recuperação no ritmo

As exportações brasileiras de milho começaram setembro de 2026 com um ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Contudo, os primeiros dias do mês mostraram uma recuperação em relação ao desempenho observado em agosto. Nos quatro primeiros dias úteis de setembro, o Brasil embarcou 1,13 milhão de toneladas do cereal, resultando em uma média diária de 281,6 mil toneladas. Esse número representa uma queda de 18,1% em comparação às 343,8 mil toneladas diárias exportadas em setembro de 2025.

Contexto de mercado

Apesar da diferença negativa na comparação anual, o início de setembro traz uma melhora em relação ao mês anterior. Agosto terminou com uma média diária de aproximadamente 221,7 mil toneladas, 32% abaixo do mesmo mês do ano anterior. Assim, o ritmo observado nos primeiros dias de setembro está cerca de 27% acima da média diária registrada em agosto, o que é um sinal positivo para o setor. Essa recuperação é especialmente importante após o fechamento fraco do mês passado, que gerou preocupações sobre a continuidade do programa de exportações de milho do Brasil.

Análise

O analista Luiz Fernando Gutierrez, da HeadPoint, comentou que o ritmo dos embarques vinha abaixo do esperado. Essa situação poderia levar a uma revisão das projeções para o ano, caso o desempenho fraco persistisse. Atualmente, a HeadPoint projeta exportações brasileiras próximas de 41 milhões de toneladas para 2026. A situação das exportações é delicada, pois uma queda nas vendas externas pode impactar diretamente os preços internos e a lucratividade dos produtores.

Além disso, a receita média diária das exportações se manteve praticamente estável em relação ao ano anterior, com uma leve queda de 1%. O preço médio da tonelada exportada, no entanto, apresentou uma alta significativa, passando de US$ 198,46 em setembro de 2025 para US$ 239,84 neste início de mês, um aumento de 20,9%. Isso indica que, mesmo com a quantidade exportada menor, o valor agregado das vendas tem se mostrado favorável.

Impacto para o produtor

Para o produtor rural, a recuperação nas exportações é um alívio, especialmente após o desempenho fraco de agosto. Um aumento no ritmo de embarques pode ajudar a estabilizar os preços internos do milho, beneficiando aqueles que dependem do cereal como fonte de renda. No entanto, é importante que essa melhora se mantenha ao longo do mês. Uma nova queda pode trazer incertezas e dificuldades financeiras. Os produtores devem acompanhar de perto as tendências do mercado e as projeções de exportação para se prepararem para possíveis mudanças.

Perspectivas

As próximas semanas serão decisivas para determinar se a melhora observada no começo de setembro representa uma recuperação consistente dos embarques de milho. O setor agrícola deve permanecer atento às condições do mercado e às políticas que possam impactar as exportações. Com a alta dos preços internacionais, a expectativa é que, se o ritmo de embarques se mantiver, os produtores possam colher os frutos de um mercado mais favorável. A evolução das exportações de milho nos próximos dias será crucial para definir o futuro do setor até o final do ano.