Etanol de milho: uma nova dinâmica para o mercado

A expansão do etanol de milho no Brasil está mudando a forma como o cereal é consumido e comercializado. Com a criação de novas usinas e o aumento da capacidade instalada, a demanda por milho cresce nas principais regiões produtoras. Dados da ANP mostram que o volume processado pelas usinas saltou de 1,3 milhão de toneladas na safra 2017/18 para 22,4 milhões em 2025/26. Para 2026/27, a Conab projeta uma produção de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho, um aumento de 17% em relação ao ano anterior.

Mercado em transformação

Essa mudança no mercado de milho levanta uma questão importante: estamos diante de um novo piso estrutural de demanda? Carlos Fávaro, produtor rural e ex-ministro da Agricultura, acredita que sim, mas com uma ressalva. Ele destaca que a nova dinâmica do mercado não garante preços fixos, mas sim uma demanda industrial consistente. Isso traz mais previsibilidade e opções de comercialização. Mato Grosso, por exemplo, está vivendo essa mudança, com um consumo interno projetado para a safra 2026/27 de 27,04 milhões de toneladas, um crescimento de 16,23% em relação ao ano anterior.

Análise do cenário

O aumento do consumo interno de milho está ligado à abertura de novas usinas de etanol e à ampliação das existentes. Isso resulta em menor excedente disponível para exportação, com os estoques finais projetados em apenas 290 mil toneladas, uma redução de 55,77% em relação à temporada anterior. Essa mudança não é exclusiva de Mato Grosso; em Mato Grosso do Sul, a competição entre usinas e cerealistas já está elevando os preços do milho, beneficiando os produtores locais.

Lucas Beber, presidente da Aprosoja Brasil, ressalta que a demanda por biocombustíveis é uma oportunidade estratégica para aumentar o consumo de milho. Isso é especialmente relevante em um momento de pressão sobre a rentabilidade do produtor. O Brasil pode agregar valor à sua produção agrícola e atender à crescente demanda global por combustíveis de menor emissão de carbono.

Impacto para o produtor

Para o produtor rural, a expansão do etanol de milho traz uma transformação significativa. Embora não garanta preços fixos, proporciona maior previsibilidade quanto à demanda pelo cereal e amplia as opções de comercialização. Com mais compradores próximos às regiões de produção, a dependência do mercado externo diminui. Isso permite que os agricultores tenham mais controle sobre suas vendas.

Além disso, o processamento de milho para etanol gera coprodutos, como os grãos secos de destilaria (DDGs), que são utilizados na alimentação animal. Isso aproxima as cadeias de produção de grãos, proteína animal e energia. Essa diversificação é importante para a sustentabilidade da produção rural.

Perspectivas futuras

O futuro do etanol de milho no Brasil parece promissor, com previsões de crescimento contínuo na demanda. A União Nacional do Etanol de Milho projeta uma produção de 16,63 bilhões de litros em 2033/34, o que poderia representar uma demanda de cerca de 38 milhões de toneladas de milho. Essa tendência reforça a posição do Brasil como um player importante no mercado de biocombustíveis e oferece uma nova base de consumo para os produtores rurais. Assim, o milho continuará a ser uma moeda valiosa em suas operações.

A expansão do etanol de milho é uma oportunidade que pode transformar a forma como os produtores brasileiros comercializam seu cereal. Isso traz maior previsibilidade e alternativas de venda, enquanto reduz a dependência das exportações. O momento é de atenção e adaptação para aproveitar essa nova dinâmica de mercado.