Setor de milho exige ações do novo governo para infraestrutura e crédito

O setor de milho brasileiro se prepara para a nova gestão presidencial com uma lista de demandas que vão além do aumento da produção. A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) defende investimentos em armazenagem, irrigação e logística, além de um Plano Safra com horizonte plurianual. O analista Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, alerta que os juros elevados são um entrave para o setor. Produtores da região Sealba, que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia, destacam a importância do seguro rural como prioridade.

Contexto de mercado

O milho é um dos pilares da agricultura brasileira, mas enfrenta desafios estruturais que precisam ser superados para garantir sua competitividade. A Abramilho destaca a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura de armazenagem, irrigação e logística. O presidente da associação, Paulo Bertolini, enfatiza que “a dificuldade na armazenagem de grãos e a logística de rodovias, ferrovias e portos requerem políticas públicas efetivas”. A capacidade de armazenagem cresce a um ritmo inferior ao da produção de grãos, gerando pressão no escoamento durante a colheita.

Além disso, a irrigação é vista como uma ferramenta importante para aumentar a estabilidade produtiva e reduzir riscos. Bertolini sugere que o próximo governo deve implementar um Plano Safra com uma visão de longo prazo, permitindo uma estratégia mais robusta para o setor.

Análise

A análise de Roberto Carlos Rafael aponta que, antes de discutir infraestrutura, é preciso abordar o ambiente macroeconômico e o custo do crédito. Com juros reais em torno de 9%, o financiamento para investimentos no setor agrícola se torna inviável. Rafael sugere que o novo governo deve priorizar a austeridade fiscal e a redução da taxa de juros para liberar crédito e facilitar investimentos. Ele critica a concentração das exportações brasileiras em produtos pouco processados e defende uma política que incentive a industrialização do milho, como a produção de etanol e DDG.

No contexto regional, as prioridades podem variar. Na região Sealba, por exemplo, o produtor Gleiton Medeiros coloca o seguro rural como a principal demanda. Ele aponta que as mudanças no Proagro dificultaram o acesso ao crédito e à proteção necessária para a produção. Medeiros acredita que resolver as questões relacionadas ao seguro rural poderia solucionar 80% dos problemas enfrentados pelos produtores da região.

Impacto para o produtor

As demandas por infraestrutura e crédito impactam diretamente o dia a dia do produtor rural. A falta de armazenagem adequada pode levar a perdas significativas durante a colheita. A dificuldade em acessar irrigação pode comprometer a produtividade. Juros altos tornam o financiamento de novos projetos quase inviável, limitando a capacidade de investimento dos pequenos e médios produtores.

Os produtores do Sealba enfrentam desafios específicos relacionados ao seguro rural, que é vital para a continuidade da atividade agrícola na região. A insatisfação com o Proagro e a necessidade de um seguro mais acessível são questões que precisam ser abordadas pelo novo governo.

Perspectivas

As perspectivas para o setor de milho dependem da capacidade do próximo governo em atender essas demandas diversificadas. A integração de políticas que considerem as diferenças regionais e a implementação de um planejamento de longo prazo são essenciais para garantir a continuidade do setor. A redução das taxas de juros e a melhoria do acesso ao crédito são vitais para que os produtores possam investir em suas propriedades e aumentar a produção de forma competitiva.

Com uma agenda que abrange desde a infraestrutura até a gestão de riscos, o novo governo terá o desafio de criar um ambiente propício para o crescimento do setor, atendendo às necessidades de todos os produtores, independentemente de sua localização.