Exportações de milho argentino devem bater recorde em 2023

As exportações de milho da Argentina estão prestes a alcançar um recorde histórico de 10 milhões de toneladas nos meses de agosto e setembro. Esse aumento é impulsionado por uma safra excepcional e pela crescente demanda internacional. Países buscam alternativas aos suprimentos ucranianos, prejudicados pela guerra, e às safras europeias, afetadas pelo calor extremo.

O país, que é o terceiro maior exportador mundial de milho, está finalizando sua safra 2025/26, estimada em 71,7 milhões de toneladas. Isso representa um aumento de quase 20% em relação ao recorde anterior de cinco anos atrás. Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, afirma que “o milho argentino, neste momento, é muito competitivo em preço e em volume”.

Mercado em alta

Tradicionalmente, as exportações de milho da Argentina para o período de agosto a setembro giram em torno de 3 milhões de toneladas. No entanto, a demanda crescente dos países do Norte da África, que normalmente dependem do milho ucraniano, tem impulsionado esse aumento. Nos primeiros sete meses de 2026, os embarques de milho argentino para essa região aumentaram em 45%, totalizando 6,5 milhões de toneladas.

Marrocos, Egito e Argélia estão entre os principais compradores. Marrocos registrou um aumento de 133% nas importações, enquanto o Egito e a Argélia também apresentaram crescimentos significativos.

Análise do comércio global

A mudança no comércio global de grãos ocorre em um momento crítico. Os ataques da Rússia à infraestrutura de exportação na Ucrânia, especialmente na região de Odessa, têm bloqueado os principais portos do país. Esses portos eram responsáveis por 90% das exportações ucranianas. Como resultado, a Ucrânia enfrenta dificuldades para escoar sua produção, que está sendo desviada para portos do rio Danúbio. As operações nesses portos também estão limitadas devido à seca e ondas de calor na Europa.

Atualmente, o transporte terrestre é a única opção viável para a Ucrânia. Isso pode gerar maior competição no mercado europeu, especialmente em países como a França, que também enfrentam problemas com suas safras de milho.

Oportunidades para o produtor

Para o produtor rural brasileiro, essa situação traz desafios e oportunidades. A Argentina se beneficia da redução das exportações brasileiras, que caíram quase 20% em relação ao recorde de 53 milhões de toneladas nos últimos anos. Isso ocorre, em parte, porque uma quantidade significativa do milho que poderia ser exportado está sendo direcionada para a crescente indústria de etanol no Brasil.

Dante Romano, gerente de pesquisa da corretora Max Agro, destaca que a demanda interna por milho no Brasil continua a crescer. A safra de 2025/26 deve alcançar 98 milhões de toneladas, um aumento de 7,1%. Essa dinâmica pode abrir espaço para os produtos argentinos no mercado internacional.

Perspectivas futuras

As perspectivas para as exportações de milho da Argentina são promissoras. Se a demanda internacional continuar forte e as condições climáticas forem favoráveis, a Argentina poderá consolidar sua posição. Para os produtores brasileiros, é importante monitorar essas mudanças no mercado e adaptar suas estratégias de produção e comercialização.

A situação atual ressalta a necessidade de diversificar os mercados e buscar novas alternativas para maximizar as oportunidades de venda. As mudanças climáticas e as instabilidades geopolíticas tornam o futuro do comércio de grãos incerto, mas aqueles que se adaptam podem encontrar oportunidades significativas.