Menor área de algodão, mas produtividade recorde no Brasil em 2025/26

A safra brasileira de algodão 2025/26 deve apresentar uma redução na área plantada, mas a produtividade surpreende e sustenta uma produção maior, estimada em 4,41 milhões de toneladas. Esse resultado foi revelado durante o Rally da Safra, que utilizou mapeamento por satélite e visitas a produtores em estados como Mato Grosso e Bahia.

As avaliações indicam uma área plantada de aproximadamente 2,07 milhões de hectares, uma diminuição de 6,3% em relação à safra anterior. A queda é mais acentuada no Mato Grosso, onde a área cultivada recuou 9,4%. Apesar disso, as condições climáticas favoráveis e o uso de tecnologias de manejo contribuíram para que a produtividade superasse as expectativas, especialmente em regiões chave.

Mercado em crescimento

O Brasil se consolida como um importante player no mercado global de algodão. O Mato Grosso, por exemplo, é agora o terceiro maior produtor mundial, superando até mesmo os Estados Unidos. A Bahia, por sua vez, voltou a ultrapassar a Austrália em produção, um feito que não ocorria desde a safra 2019/20.

Esses avanços ocorrem em um cenário internacional onde outros países enfrentam dificuldades na produção de algodão. Isso torna a competitividade brasileira ainda mais relevante. Para os produtores, a melhoria contínua na produtividade e na qualidade é necessária para aproveitar as oportunidades no mercado global.

Análise detalhada

Na Bahia, a área cultivada com algodão aumentou ligeiramente, com um foco crescente na irrigação. A área irrigada cresceu 12%, enquanto a de sequeiro caiu 7%. Isso resultou em uma produção estimada de aproximadamente 982 mil toneladas, um aumento de 23,2% em relação à safra anterior. A produtividade em caroço deve alcançar 368 arrobas por hectare, um recorde para o estado.

No Mato Grosso, a situação é diferente. Com a área plantada diminuindo para cerca de 1,42 milhão de hectares, a escolha dos produtores foi influenciada pela atratividade do milho como alternativa de cultivo. No entanto, a produtividade estimada deverá atingir 337 arrobas por hectare, superando a safra anterior.

Efeitos para o produtor

Para o pequeno e médio produtor rural, a redução na área plantada não necessariamente resulta em perda de produção. A combinação de clima favorável, tecnologia e manejo adequado resultou em ganhos significativos de produtividade. Contudo, é importante que os produtores estejam atentos às condições climáticas e ao manejo das lavouras, especialmente no controle de pragas, como o caruru, que se torna um desafio crescente.

Além disso, os números ainda estão em formação, com apenas 35% da pluma beneficiada até o início de setembro. Isso significa que os produtores devem estar preparados para possíveis ajustes nas estimativas de produção e qualidade da fibra.

Futuro promissor

O cultivo de algodão no Brasil parece promissor, mas exige cautela e adaptação. A expectativa é de que, para a safra 2026/27, haja uma maior adoção de tecnologias que ajudem no controle de pragas e na melhoria do manejo. Os desafios são reais, mas a capacidade de adaptação dos produtores e a inovação no setor podem garantir que o Brasil continue a se destacar no mercado internacional de algodão.

Em resumo, a combinação de uma área plantada menor, mas com produtividade recorde, coloca o Brasil em uma posição vantajosa no mercado global. Os produtores devem estar prontos para aproveitar essa oportunidade.