Milho: Queda em Chicago e estabilidade na B3 marcam o mercado
A sexta-feira (4) trouxe movimentações negativas para os preços internacionais do milho futuro na Bolsa de Chicago (CBOT). Apesar disso, os contratos encerraram a semana com leves ganhos, marcando a transição de agosto para setembro. Segundo a análise da Agrinvest, as quedas desta sexta estão ligadas ao recuo do trigo. A diminuição das tensões entre Rússia e Ucrânia reduziu o prêmio de risco e pressionou ambos os cereais na CBOT.
Os contratos de milho com vencimento em setembro/26 foram cotados a US$ 5,12, apresentando uma queda de 3,25 pontos. Os vencimentos de dezembro/26, março/27 e maio/27 também registraram desvalorizações, com perdas que variaram de 3,50 a 4 pontos. No entanto, no acumulado semanal, os contratos do milho norte-americano mostraram ganhos, com um aumento de 0,05% para o dezembro/26 e 0,49% para o maio/27.
Contexto de mercado
No mercado interno, a Bolsa Brasileira (B3) viu os preços futuros do milho finalizarem o pregão com pequenas movimentações, mas com valorizações semanais para as principais posições. O clima quente e as preocupações em relação aos impactos de um Super El Niño continuam a dar suporte às cotações. Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de inteligência de mercado da HeadPoint, destaca que a demanda doméstica, especialmente por parte das usinas de etanol e indústrias, está aquecida, sustentando os preços em território nacional.
A semana foi marcada por ofertas pontuais e um volume de negócios reduzido, enquanto os produtores aguardam preços mais elevados. A melhora dos preços nas últimas semanas tem incentivado os produtores a negociar mais, especialmente o milho da segunda safra de 2026.
Análise
Apesar das quedas observadas em Chicago, o mercado brasileiro se beneficia de uma demanda interna robusta. As usinas de etanol e indústrias buscam garantir estoques até o final do ano, o que pode trazer alívio para os produtores. No entanto, as vendas da safra de 2027 ainda estão lentas, devido a preços menos atrativos e incertezas sobre a janela de plantio da próxima safrinha.
Além disso, Gutierrez alerta para os riscos nas exportações. Embora o Brasil esteja entrando no período de maior intensidade de embarques, a demanda externa pode não atender às expectativas. As incertezas relacionadas ao Irã e a competitividade crescente da Argentina no mercado internacional são preocupações a serem consideradas.
Impacto para o produtor
Os produtores rurais devem estar atentos às movimentações do mercado, tanto interno quanto externo. A expectativa de preços mais altos pode incentivar uma maior participação dos produtores nas negociações. Contudo, a lentidão nas vendas da safra de 2027 e as incertezas sobre o cenário internacional exigem cautela. A estabilidade nos preços internos, apesar das flutuações externas, é um sinal positivo, mas a situação deve ser monitorada de perto.
Perspectivas
Com a chegada do Super El Niño e suas possíveis consequências climáticas, os produtores precisam se preparar para incertezas. O clima quente nas regiões produtoras dos EUA pode afetar a oferta e, consequentemente, os preços. No Brasil, a demanda interna deve continuar a dar suporte, mas os riscos nas exportações e a concorrência externa são fatores que não podem ser ignorados. Portanto, é importante que os produtores fiquem atentos às tendências do mercado e se preparem para ajustar suas estratégias conforme necessário.