Importações de fertilizantes caem 43% em agosto, mas sem falta no mercado

As importações brasileiras de fertilizantes caíram 43,2% em agosto de 2026, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O Brasil recebeu cerca de 2,97 milhões de toneladas de adubos, enquanto no ano passado esse número era de 5,22 milhões de toneladas. Apesar dessa queda expressiva, o analista de fertilizantes da Agrinvest, Jeferson Souza, garante que não há falta generalizada de produtos no mercado.

Contexto de mercado

A diminuição nas importações foi acompanhada por uma queda de 35,9% em valor, totalizando cerca de US$ 1,20 bilhão em agosto. O preço médio dos fertilizantes importados subiu 12,8% em relação ao ano anterior. Segundo Souza, a situação do mercado deve ser analisada levando em conta a produção nacional e a demanda, que está mais retraída devido ao ambiente econômico atual.

Ele observa que a oferta de nitrogenados está mais apertada do que no ano passado. Isso se deve à dependência do Brasil das importações de ureia, que representam cerca de 40% do total, com a maior parte vinda do Oriente Médio. A queda de 50% nas importações de ureia da região em 2026 é um fator a ser monitorado, pois pode reduzir a folga do mercado diante de possíveis problemas futuros de oferta.

Análise

Embora a oferta de nitrogenados esteja mais restrita, Souza não vê falta imediata de produtos. Ele destaca que a relação de troca do milho com os fertilizantes está dentro dos padrões históricos, o que pode criar oportunidades para os produtores. Contudo, é preciso cautela, já que muitos ainda não fecharam suas compras para a safrinha de milho, que apresenta um cenário diferente em relação à soja.

Enquanto 90% das necessidades de fertilizantes para a safra de soja 2026/27 já foram adquiridas, apenas 45% das compras para a safrinha de milho estavam fechadas até o início de setembro. Isso deixa 55% das necessidades ainda em aberto, tornando a safrinha mais vulnerável a flutuações no mercado internacional.

Impacto para o produtor

Para os produtores rurais, a situação atual traz desafios e oportunidades. A redução nas importações de fertilizantes pode afetar os preços e a disponibilidade de insumos, especialmente para aqueles que ainda não garantiram suas compras. A instabilidade geopolítica, como a tensão entre os Estados Unidos e o Irã, pode influenciar a disponibilidade e os preços dos fertilizantes, aumentando a pressão sobre os produtores.

A possibilidade de ampliação das exportações chinesas de ureia pode oferecer alívio para a oferta global. Souza acredita que isso pode influenciar positivamente os preços nas próximas semanas, o que é uma boa notícia para os produtores que ainda estão em processo de compra.

Perspectivas

O fechamento de agosto mostra uma redução significativa nas importações de fertilizantes, mas o impacto para o produtor rural varia conforme o produto e o estágio de compra de cada safra. A soja, com a maioria das necessidades já contratadas, parece estar em uma posição mais confortável. Em contrapartida, a safrinha de milho precisa de atenção redobrada devido à incerteza no mercado de nitrogenados.

Os produtores devem estar atentos às movimentações do mercado internacional. Qualquer interrupção nas importações pode afetar diretamente suas operações. O momento exige planejamento e cautela, especialmente para aqueles que ainda não garantiram seus insumos para a próxima safra.